Vila Primeira da Ilha do Pico. Vila baleeira dos Açores. Mar e Terra cruzam-se numa História de 500 anos.

04
Set 10

Esta manhã, ao ler a imp"rensa continental, deparei-me com o suplemento FUGAS do Público, falando sobre os Açores. "5 Ilhas, 5 Mundos",com texto de Carlos Pessoa e Fotog. de Miguel Manso.

De início louvei a iniciativa que, embora tardia no Verão e atrasada em relação a outras publicações de tiragem internacional, vinha dar um ar de que os portugueses orgulham-se de ter paisagens e "mundos" bonitos. Depois, foi a desilusão. Sobre o Pico, o texto é faccioso, redutor e pobre e nem mesmo recorrendo ao "Ilhas desconhecidas" de R.Brandão, o autor da reportagem aprendeu alguma coisa. Da história da baleação no Pico, que revitaliza o Museu mais visitado dos Açores...NADA!!! Só o vinho, cuja produção conheceu - pasme-se!- na Graciosa as maiores produções do arquipélago. Sobre o Pico, foi limitativo: A montanha, sobe-se "a partir de São Roque!!! e o Lajido que fica a 20 km da Madalena!!!..." Dá vontade de rir...

Pode parecer para uns que foi um bom serviço prestado ao turismo dos Açores. Para mim, NÃO! Os melhores divulgadores são os visitantes, nacionais e estrangeiros, sobretudo estes que vêm até aqui, individualmente, gozar os prazeres do ambiente, e da idiossincrasia do nosso povo. E isso não se faz como os repórteres das FUGAS do Público.

Nota negativa!!!

Aqui fica o texto sobre o Pico e o link da reportagem completa

 

"Foi com uma sábia e persistente utilização de todo o tempo do mundo que a intervenção humana na paisagem do Pico levou ao que hoje se pode ver. O ciclo do vinho "respira" por toda a parte. Fernando Oliveira, director do Parque Natural da Ilha do Pico, conduz-nos até ao Lajido da Criação Velha, na Paisagem da Cultura da Vinha, uma área classificada como património mundial encostada à vila da Madalena. São muros de pedra negra a perder de vista, organizados de forma a protegerem as videiras do ar marinho e proporcionarem a melhor entrada dos raios solares. Currais, canadas, abrigos, traveses e jarões são os termos que legendam uma paisagem belíssima - dão nexo a uma cultura centenária inscrita no basalto e sentido à acção humana para extrair de um solo de rocha os recursos que tornam a vida possível num ambiente tão adverso.

Há outros sinais desse labor. As relheiras (sulcos de rodas) marcam no basalto a passagem imemorial dos carros de bois sobre lajes de lava com os produtos agrícolas. As rola-pipas, rampas talhadas na pedra para facilitar o transporte das pipas de vinho até ao mar, encontram-se espalhadas pela costa. A uns 20 quilómetros de Madalena, na costa norte da ilha, Lajido de Santa Luzia exibe o seu singular património em torno da produção de vinho - adegas, armazéns, poços de maré, casas solarengas, ermidas...

O espaço natural, imagem de marca dos Açores, atinge no Pico o seu apogeu. A montanha tutela tudo, claro, com uma escala de tempo que é impossível de apreender pelo limitado arco temporal humano. Iniciando a subida a partir de S. Roque do Pico, não demoramos muito a alcançar o planalto central, que ladeia a Ponta do Pico (só agora, quando o dia caminha para o ocaso, começa finalmente a dissipar-se a massa de nuvens brancas) no sentido leste-oeste. Lá de cima, as restantes ilhas do grupo central parecem mais próximas, quase ao alcance da mão, acentuando uma sensação paradoxal que é ao mesmo tempo de proximidade e isolamento. Sob sol luminoso e frio e vento cortante, a estrada espreguiça-se por um espaço esmagador que, exceptuando a presença de algum gado que começou a ser deslocado para as pastagens de Verão, parece tão intocado como no acto da criação. É o território de eleição de um turismo de natureza ímpar.

Na descida, o impulso pode levar o visitante até ao interior da terra: a Gruta das Torres, um tubo lávico com mais de cinco quilómetros de comprimento - o maior que se conhece nos Açores - tem entrada nas proximidades de Criação Velha, uma aldeia do concelho da Madalena. Existe no local um Centro de Visitantes que enquadra visitas guiadas durante todo o ano. O geólogo Paulino Costa, responsável pelas áreas protegidas da região, conduz-nos através dos troços que podem ser percorridos em segurança. É um espectáculo deslumbrante de estalactites, estalagmites, paredes estriadas e lavas encordoadas que transformam a descida numa experiência inesquecível. Mas sabe bem voltar a ver a luz do dia..."

publicado por sim às 23:15

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