Após alguns dias de vento e de chuva, o suficiente para o aeroporto fechar e arredar esta Ilha do arquipélago e do mundo, voltou o bom tempo.
São assim estas ilhas. Mesmo assim, há cada vez mais revistas especializadas a considerar o arquipélago como um destino com grandes potencialidades, beleza e uma natureza limpa.
Por aqui, esperamos que este ano tenhamos mais visitantes.
Esperamos... mas será que temos feito o que devemos para atrair mais visitantes?
Ou aguardamos que os turistas venham até nós, sensibilizados apenas pelos prospetos das agencias de viagens e pelas revistas da especialidade?
Esta ilha e o nosso concelho merecem uma promoção cuidada, inteligente e eficaz.
No turismo, como indústria de lazer, a carolice e a boa vontade já não chegam para convencer os potenciais visitantes.
O mercado tem as suas regras e rege-se por critérios publicitários bem conhecidos e caros que surtem efeito quando utilizados em campanhas.
Exige-se de todas as entidades envolvidas: operadores, empresários, organismos públicos e privados e até dos lajenses que apostem, decididamente, nesta actividade, inovando, criando e promovendo actividades relacionadas com a actividade do whale-watching que deve ser muito mais do que uma simples ida ao mar para observar baleias e golfinhos. Só isto é pouco. Muito pouco.
O investimento na recuperação de botes e de lanchas baleeiras não pode nem deve destinar-se APENAS a regatas a remos e à vela ou a campeonatos regionais, inconsequentes.
Os botes e as lanchas podem e devem ser utilizados para passeios com os visitantes, acompanhados de animadores que recordem a história e as estórias da baleação.
O Museu só não chega quando há botes e baleeiros ainda vivos.
Com franqueza! Parece que temos medo de dizer que no Sul do Pico e nesta terra foram arpoadas centenas de baleias, transformadas em óleo e que a caça era feita em botes e lanchas que ainda navegam. Não somos menos ecologistas ou ambientalistas, por isto.
Não tenhamos medo de um passado que nos orgulha e que devemos dar a conhecer, o melhor que saibamos, a quem nos visita. É essa partilha de vivências que pretende quem nos visita e que torna esta Ilha singular na exploração dos mamíferos marinhos.