Vila Primeira da Ilha do Pico. Vila baleeira dos Açores. Mar e Terra cruzam-se numa História de 500 anos.

21
Nov 07

 

Esta noite sonhei com uma ilha cheia de sol, de sonhos e de gente, que trabalhava, afanosamente, em terra e no mar, para desenvolver as suas vidas. Ouvi o ribombar do foguete assinalando baleia!, e puz-me a correr para o caneiro, para ver sair a Rosa Maria, a Cigana, a Aliança, transportando botes e baleeiros, esperançados em trancarem uma baleia grande.

A Lagoa, maré seca, ficou vazia e nós saltámos para dentro da chatinha da Cigana e demos uma voltinha enquanto o cabo de mar não nos via...

Depois, fomos para a escola, inquietos por voltar à Lagoa - os nossos barquinhos rasgavam vaguinhas pra-trás-prá-frente e volta-a-trás e vai-à-frente, com uma velocidade que nos encantava...

Ao passar pela tasca do Tibério, no canto da Rua Nova, ouvi o vigia anunciar que o Liberdade tinha trancado a baleia e que todos regressavam a terra.

Acordei, com um sorriso, sem saber porque tinha voado tão rapidamente a um passado tão distante. E pensei para comigo: Esta Vila ainda há-de ser a grande terra que foi, embora com outras gentes, outras actividades e outro dinamismo.

Basta que quase todos queiram.

E queremos umas Lajes melhores!

http://lajes.blogspot.com

publicado por sim às 12:51

Que saudades...belos tempos. também passei muito tempo na lagoa, apanhava mujas com barquinho à vela. Ainda tenho na minha memoria os foguetes, as lanchas a roncar, os homens a correr...que espectaculo.

Medina
josé manuel medina a 21 de Novembro de 2007 às 13:02

Não sei se é pelo passar dos anos, se por estar longe, se (calhar) por recordar os nossos antepassados, o que é certo é que a leitura deste texto me fez recuar no tempo e emocionou-me. É verdade. Neste mundo da internet, em que todos opinam e poucos dão a cara, de vez em quando, surgem coisas que valem a pena. Talvez por serem simples e genuínas! ...
Fiquei contente por ver que o José Manuel, também, anda por estes sítios e recordei o nosso amigo João Cabo-do-Mar (João Medina) e vieram-me à memória tantas peripécias passadas com ele e no seu vasto grupo de amigos...
Tal como o autor deste blog, também comungo da ideia que as Lajes do Pico ainda há-de vir a ser uma Terra de Mulheres e Homens grandes pela única e simples razão de que já o foi, num passado não muito distante e a história repete-se, em muitos casos. Beijos e abraços para todos.
artur xavier a 21 de Novembro de 2007 às 19:07

Eu sou dos mais antigos que sonhava com o foguete atirado pelo Sr. Martiniano ou pelo Sr. Francisco da Vigia, lá bem no alto do Cabeço, perto da Terra da Forca e ainda estou vendo o lençol que era estendido para dar a direcção das baleias. Eram catorze os botes no meu tempo. Lembro o Mestre Tiaguinha , o Mestre José Bagaço, o Mestre José da Emília, o Mestre Joaquim, o Mestre Manuel Joaquim, Saurrau ) e dos oficiais: Chiné do João Maurício, do Caiador e tantos outros... Ver sair estes botes e estas lanchas: Zélia, Aliança, Espartel , Cigana, Hermínia, Lourdes e mais tarde a Rosa Maria, com os botes aos atropelos na Lagoa para ver quem saía amarrado à Cigana ou à Aliança ou à Zélia, porque eram as lanchas mais rápidas, apesar da confusão, era a história que depois contávamos aos que ficavam em casa e não puderam assistir a mais uma «arriada à baleia». Muitos dos botes iam a remar desde a Lagoa e mal saíam a Carreira «armavam» de vela, para chegarem primeiro perto das baleias, (alguns até chegavam), isto se o vento estava de cima da terra, ou de Norte, moderado. Baleias depois haviam muitas a derreter nas rampas do Caneiro a aguardar para serem derretidas, nos caldeiros onde se mergulhava no azeite a ferver para coser e fritar respectivamente, a massaroca de milho ou a enfiada de rodelas de batatas doces, pelos experientes mestres de fazer o óleo. Outros tempos...e, a rampa clama ainda para ser acabada. Por isso todos nós «queremos umas Lajes melhores!»
Trancador a 22 de Novembro de 2007 às 14:18

Gostava que me avivassem a memória e me esclarecessem. Lembro-me de por lá passarem o Manuel Domingos, o Tibério e o Manuel Laureano. Qual a ordem cronológica dos três proprietários? O primeiro foi o Manuel Domingos, mas depois...Deve ser da idade. Alguém que se lembre me esclareça. Obrigado. Não se esqueçam de subir a Santa Catarina no Domingo que vem, para participarem da Missa e para desfrutarem da vista. Agora também já se pode admirar o Hiper e o Estádio, bem como a orla Costeira e o mais que a nossa vista alcança...
Esquecido a 23 de Novembro de 2007 às 18:32

Caro esquecido
O amigo não deve estar assim tão esquecido, uma vez que acertou em cheio na ordem. É exactamente assim como descreve, a ordem cronológica.
Cumprimentos.
artur xavier a 23 de Novembro de 2007 às 23:49

Amigo Artur,

Gosto de saber o que se vai passando pela minha terra.

Um grande abraço
josé manuel medina a 26 de Novembro de 2007 às 10:19

Também recordo com muitas saudades, grandes momentos de puro teatro humorístico , entre o meu pai e o pai do Artur!!!! Estão a fazer muita falta, a nós família e à vila, eram personagens...vou parar porque as lágrimas começam-me a cair pela cara.
josé manuel medina a 26 de Novembro de 2007 às 11:42

Meu caroTrancador;
Nesse seu desbobinarfaltou a lancha Margarida e o seu Mestre Moniz Bettencourt.
...a Espartel era da companhia de S.Mateus.
anonimo a 26 de Novembro de 2007 às 23:38

Obrigado por mo ter lembrado e já agora quero referir que vi sair do porto das Lajes muitas vezes a «Espartel» e que o seu maquinista era o Sr. Boaventura Simões. Se por acaso se lembrar e me quiser esclarecer, o que desde já agradeço e todos os que são parte integrante desta Vila baleeira, qual era o maquinista da «Margarida» e o mestre da «Espartel» , visto que o mestre da «Margarida» era o Sr. Manuel Moniz Bettencourt e o maquinista da «Espartel» era o acima citado Sr. Boaventura. mais uma vez reitero oe meus sinceros agradecimentos antecipados a quem me quiser elucidar convenientemente.
Trancador a 27 de Novembro de 2007 às 23:46

O mestre da Espartel era o João Brão. Foi-o durante largos anos e só o conheci´com esse ofício. Quando havia baleia largava para S.Mateus para tomar o(s) bote(s) de lá.
Vigia da Vila a 28 de Novembro de 2007 às 15:04

Obrigado ao «Vigia da Vila», pela informação, mas pedia a outra que se referia ao maquinista da «Margarida», poder-me-á esclarecer? Agradecia imenso...
Trancador a 29 de Novembro de 2007 às 14:09

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