Vila Primeira da Ilha do Pico. Vila baleeira dos Açores. Mar e Terra cruzam-se numa História de 500 anos.

20
Dez 07

As novenas de Natal levavam os fiéis à Igreja de São Francisco, em noites escuras como breu. Iam e vinham de noite, acompanhados de lanternas com velas que iluminavam os caminhos, onde carros raramente passavam a não ser para levar o médico a um enfermo.

No interior do templo a capela acompanhada pelo orgão e violino, interpretava tradicionais melodias em latim, que anunciavam a proximidade da noite santa e do nascimento do Menino.

Entretanto nas casas, enfeitava-se altarinhos e os presépios tomavam forma deliciando a imaginação das crianças que mais não esperavam de presente senão um carrinho de lata da montra do sr. Edmundo ou uns rebuçados da mercearia, que não chegava dinheiro para mais prendas.

No dia da festa, a galinha guizada ou a carne assada no forno, compradas com uns dolares que tinham vindo da América, abriam o apetite a barrigas vazias durante a maior parte do ano, pois a soldada da baleia mal dava para pagar a farinha e o açúcar.

Foi assim durante anos e anos e recordá-lo agora não é mal, antes serve para os mais novos entenderem as vidas difíceis de seus pais e avós.

Um feliz e Santo Natal, na certeza de que Jesus veio para salvar todos qualquer que seja a sua raça, cor, religião, convicções sociais e políticas.

http://lajes.blogspot.com

 

  

 

publicado por sim às 17:10

Como é diferente, agora, o Natal !
Leio esta mensagem e ao fazê-lo, não me é dificil recuar no tempo (Não muito, bastarão para aí uns 40...) e recordar esse Natal de que fala o autor do blog.
Tempos duros, é certo, mas onde não se verificava este frenesim - embora, pontualmente, vá esmorecendo - às compras. Sabia-nos bem uma caçoila e umas fatias douradas. Algum brinquedo de lata ou madeira e, por vezes, um chocolatinho!...
Era tradição, no dia 25, a Filarmónica ir, de porta em porta, cumprimentar sócios e tocadores. Foi assim o meu baptismo, na Banda. (Que frete!...). Para além disso, também era costume visitar todos os Familiares e alguns Amigos mais chegados.
Poderão, eventualmente, os mais jovens julgar que tudo isto é próprio dos nostálgicos e lamechas, e, quem sabe, até, sinónimo de algum saudosismo!?...
Como, muitas vezes, ouvia dizer a um amigo, não se pode afirmar que o Natal de hoje seja melhor ou pior do que o de outrora. Sem dúvida que é, bem, diferente!
Umas Boas-Festas para todos e Feliz Ano Novo.
artur xavier a 20 de Dezembro de 2007 às 19:37

Ainda apanhei um pouco desses Natais e recordo com muita saudade esses tempos.
Um Santo Natal para todos e um grande 2008!!!

Um grande abraço
josé manuel medina a 21 de Dezembro de 2007 às 09:45

Em pequenino adormeci ao som do violino tocado por minha mãe e ao som do órgão tocado pelo Sr. Chico Castro. Ainda hoje na minha memória, ouço as vozes do Sr. Cabo Avelino, do Sr. João Brasileiro, do Sr. José das Terras, do Sr. Manuel Bettencourt e de seu irmão, Domingos, ainda vivo e do meu Tio José Ávila, que também ainda está entre nós. Meu pai era o Regente da Capela. Que sono era aquele que me dava naquelas novenas. Mas havia um perfume no ar e uma auréola de religiosidade que a todos nós contagiava. Natais da minha infância, nunca mais os esquecerei. Emocionei-me...não posso escrever mais. Feliz Natal para todos os que lerem estas linhas e para os outros, que apesar de não as lerem, através dos amigos, tem conhecimento delas. Até para o Ano se Deus quiser! Que o Novo Ano traga muita Paz, Alegria, Amor e Felicidade para nós os Lajenses e para todos os portugueses e cidadãos espalhados por este planeta.

«Alegrem-se os céus e a terra,
cantemos com alegria,
vai nascer o Deus Menino,
Filho da Virgem Maria»

Paulo Luís
Anónimo a 21 de Dezembro de 2007 às 18:41

Belo post.

Bom Natal para todos.
jose augusto soares a 21 de Dezembro de 2007 às 19:34

Natal, uns não têm; outros imaginam que não têm - à maneira de M Tomás, meu distinto professor

Lembro-me bem do Natal dos figos passados, das sacas da América, do cheiro a soalho lavado e do vento frio que assobiava pelas frinchas. Mas, não é deste Natal que vos quero falar.
Lembro-me bem de ter colegas descalços em dias de granizo. De almoços parcos no alpendre da escola, pois não havia cantinas, nem os pais tinham carros para os vir buscar. E, mesmo que viessem, não haveria outro manjar. Mas, mais uma vez, não é deste Natal lajense que vos quero falar.
Nesta época de mensagens fraternas: a do Bill Gates, que não rico, pois o dinheiro está todo na fundação ao serviço dos pobres; a do Belmiro Azevedo, que leva uma vida frugal, só mudando de carro ao fim de 10 anos; a dos políticos que nos lembram que, se por cá não há fome, devemos ao menos estar preocupados com os indianos. Um pouco como as nossas avós, quando nos convenciam a comer, lembrando os pobrezinhos em África, que nada têm. Mas, como nas anteriores, não é destes natais que vos quero falar.
Sucede que tenho um aluno inteligente, como quase todos, mas que não tem qualquer orientação em casa, como muitos. É deste Natal que vos quero falar. Apresenta-se nas aulas sem livros e, quando apresenta algum, como foi o caso, é acusado de o ter roubado. E isto hoje há de tudo, imagine-se que alguns alunos extorquem trabalhos de casa a colegas, ao toque de sopapos. É sim destes natais que vos quero falar.
Para solucionar o caso, pedi ajuda a um colega que, prudentemente, sentenciou: o ladrão é sempre o que tem mais.
A todos um santo natal.
Paulo Pereira a 22 de Dezembro de 2007 às 23:50

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