Vila Primeira da Ilha do Pico. Vila baleeira dos Açores. Mar e Terra cruzam-se numa História de 500 anos.

01
Mai 08

Faleceu o João Manuel Machado.

Cidadão prestante, homem sério e comprometido com a sua terra, exerceu funções diversas no desporto, em instituições sociais e até no domínio do poder autárquico.

Do João, ficou-me sempre a imagem do homem de poucas palavras, lúcido e inteligente, com uma visão crítica mas construtiva sobre o presente e o futuro da sua e nossa terra.

As Lajes e a juventude ficam a dever-lhe muito do são hoje, por isso estamos mais pobres e tristes com esta partida para sempre.

Adeus João Manuel!

publicado por sim às 23:09

PONDERANDO

AO JOÃO MANUEL

Fomos juntos para a tropa, em Julho de 1973, no Angra do Heroísmo, para o R.I. 5, nas Caldas da Rainha onde fizemos a recruta. Depois eu fui para Leiria para o R.A.L. 4 e ele para a Força Aérea, onde mais tarde o vim encontrar na Base Aérea das Lajes, na Terceira. Há 35 anos…
Faleceu o meu amigo e grande Lajense: João Manuel Ávila Machado. Somos do mesmo ano – 1952. Estivemos com os mesmos professores, na escola primária, com o Sr. Prof. Ruben Rodrigues e até ao 2º ano Liceal com o Sr. Professor Manuel Moniz Bettencourt. Nesse tempo, “quando o mar vinha cá’cima” a malta da escola delirava, porque não haveria escola nesse dia e os motivos eram os estragos em ruas ou acessos interrompidos pelo desaguar das ondas de oeste por cima da muralha que em poucas horas inundavam o campo de futebol transformando-o num lago de águas calmas. Ora nesses recuados anos do início da década de sessenta, só existia a muralha de pedra do Engenheiro Curbal porque a outra, do Ministro Arantes e Oliveira, só veio depois de 1964 (?). Então, era uma “alegria”… até que um dia o João Manuel, tristonho, cabisbaixo, nos confidenciou: não estaríeis assim alegres se as galinhas das vossas casas tivessem ido engolidas na enchente do mar desta madrugada… Ficámos mudos e também tristonhos por percebermos a angústia de quem vivia, paredes meias com a tempestade e a violência da natureza… Até hoje, nunca mais esqueci as palavras do João Manuel naquela manhã “sem escola”… e hoje, dessas palavras, aqui dou o meu emocionado testemunho. Depois ingressámos, anos mais tarde nas Finanças. Ele foi para as Lajes das Flores e eu fui para o continente, para o Barreiro, de onde regressei à Madalena. Voltámos a nos encontrar nas Caldas da Rainha e depois, eu fui para S. Roque e o João Manuel casou na Prainha com a Isilda. Ele foi vereador na Câmara das Lajes e era actual Vice-Provedôr da Santa Casa da Misericórdia das Lajes, há vários anos e nessa área – Solidariedade Social nas Santas Casas da Misericórdia – voltámos a estar juntos no último Congresso Nacional em Braga e no último Congresso Regional em Angra. Foi um homem de família, da sociedade e do desporto. Exímio jogador de futebol (tal como seu pai o Sr. Manuel Augusto), passou pelo Fayal Sport (júnior), voltou às Lajes onde jogámos juntos com equipas aguerridas no Pico, Faial e São Jorge, depois jogou nas Flores, regressou ao Lajense, foi para o Futebol Clube da Madalena e retornou às Lajes onde também foi Treinador, cargo que desempenhou com acerto e “amor-à-camisola” levando o Lajense à III (?) eliminatória da Taça de Portugal (eliminando o Fronteirense, Ferrel e perdendo com o Samora Correia, de Joaquim Meirim). Foi o iniciador da Associação de Desportos e ajudou a implantar o Voleibol, com o Zeca Azevedo, essa modalidade que hoje tem no Ribeirense o nosso grande embaixador. Desempenhou diversos cargos sociais: encontrei-o como Presidente da Assembleia Geral da Irmandade de São Pedro e recentemente como Presidente da Assembleia Geral do C. D. Lajense. Durante vários anos, na presidência de Manuel Paulino Costa, foi o responsável pela organização desportiva da “Semana dos Baleeiros”.
Embora já padecendo de doença que suportava com estoicismo, há meses encontrámo-nos no aeroporto de Lisboa, e com um brilho especial nos olhos, de alguém que sempre viveu com o mar por perto, manifestava-me a sua satisfação por ter realizado mais um sonho: um Cruzeiro turístico no Mar Mediterrâneo com a sua Isilda.
Um dos seus hobys era a pesca, algumas vezes o encontrei, com o Zezinho, na Doca do Cais de São Roque…
Triste notícia me chegou há momentos por alguém que, da minha família, sabia da nossa amizade, talvez mais partilhada noutros tempos, mas que, sabíamos os dois, tal como com o Luís Fernando, o Lizuarte e o Fernandinho Moniz, entre outros, era sincera e leal, aquela amizade que começa nos bancos de escola e na catequese e perdura pela vida fora…
Já começam a desaparecer precocemente os da minha geração… E logo os que fazem falta?
O João Manuel faz muita falta à sua família: esposa Isilda, mãe D. Estela, filhas Joana e Bruna a quem acompanho nesta hora dolorosa endereçando as minhas sentidas condolências.
Mas… o João Manuel faz e fará muita falta às Lajes.
RUI PEDRO AVILA a 2 de Maio de 2008 às 01:22

Recebi ontem a triste noticia do falecimento do meu amigo João Manuel. Tive o prazer de pertencer ao seu rol de amigos, sendo mais velho do que eu, jogamos futebol junto no lagense e no tempo do FCMadalena, onde iamos no carro do meu Pai, bom conversador e com muita piada, o João era daquelas pessoas que eu gostava de falar, sempre com a sua critica na ponta da lingua, mas sabia o que dizia. Quando ia de férias ao Pico, passamos muito tempo juntos a pescar na rampa ás Mujas, e ele dizia-me " Medina, só quero uns peixinhos para o gatinho, o resto levas" Nesta hora de tristeza e porque custa muito receber estas noticias, ainda para mais de amigos nossos, as palavras vão faltando da nossa mente e as lagrimas começam a cair pelo rosto. A toda familia do meu amigo João Manuel, os meus sinceros sentimentos e que Deus vos ajude neste momento de dor.

Medina
josé manuel medina a 2 de Maio de 2008 às 10:29

À hora a que escrevo este pequeno texto, deverá estar a ocorrer o funeral do meu Companheiro de trabalho João Manuel Ávila Machado. Com o João, por ele ser um pouco mais velho que eu, só comecei a privar no ano de 1975, quando fomos colocados na Repartição de Finanças das Lajes do Pico. Como quase todos da nossa geração, as nossas infâncias não foram nada fáceis. Quando chegaram as possibilidades, comprou-se um carrinho e, nessa altura, o nosso convívio acentuou-se. Corríamos a Ilha de ponta a ponta, onde houvesse um arraial ou um bailarico. As recordações dos momentos que passámos juntos e com outros colegas de profissão e amigos, não caberiam neste singelo comentário. Apenas quero dizer que o João Manuel procurava ser perfeito naquilo que fazia e poucas vezes não o conseguia. A notícia da sua morte foi a pior coisa que me poderia ter acontecido neste 1º de Maio, dia do Trabalhador. Quando voltar às Lajes, no próximo mês de Junho, já não te encontrarei para trocar-mos aquele abraço!...
Nem quero imaginar porque estão passando todos os que choram a sua partida, em especial a senhora tua mãe, tua esposa e filhas, os teus primos, os nossos colegas e os nossos amigos.
João: Ficarás sepultado aí, bem pertinho do Convento, onde passaste muitas horas da tua vida e sobranceiro ao lagido e a esse lindo mar que tanto adoravas.
Que a terra te seja leve, meu querido Amigo.
artur xavier a 2 de Maio de 2008 às 20:18

O João Manuel foi uma das pessoas que mais me marcou durante o período que vivi nas Lajes.
Critico, frontal, questionante em relação às minhas opções técnicas, tratou-me sempre com respeito e posso meu dizer que fez o favor de se tornar meu amigo.
E eu gosto das pessoas frontais, sinceras e realistas.
O Voleibol e a paixão de um dos meus filhos por essa modalidade, manteve-nos em contacto (ainda que raro)
Quando soube (e soube logo ao fim da tarde) tentei junto de amigos averiguar o que se tinha passado e o comentário foi comum "ninguém merece, mas o João Manuel ainda menos"
É que ele ainda tinha tanta coisa para fazer!

Daqui do Alentejo os sinceros votos de pesar enviados à D. Estela, à D. Isilda, à Joana e à Bruna da parte da família Soares

E, "João Manuel, nós por cá vamos ter de nos desenrascar, mas vai ser muito mais difícil sem ti"





















Daqui do Alentejo, e na impossibilidade de o fazer pessoalmente (agradecendo ao Ivo por o fazer por mim) envio o meu pesar, em primeiro lugar à D. Estela - perder um filho
José Salvador Soares a 2 de Maio de 2008 às 21:28

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