Vila Primeira da Ilha do Pico. Vila baleeira dos Açores. Mar e Terra cruzam-se numa História de 500 anos.

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Jun 08

O Jornal Público, publica hoje um interessante artigo de José Vitor Malheiros sobre o anonimato na internet. O autor, considera que a possibilidade de anonimato é condição de liberdade. Não é por acaso que as democracias defendem o voto secreto.
Paradoxalmente ou não, o anonimato floresceu na Internet, último espaço onde se pode ser outro e explodir em heterónimos nas redes sociais que são os novos espaços de convívio global. O infeliz caso de Megan Meier e o julgamento de Lori Drew arrisca-se a resultar numa redução dessa liberdade. Descobrimos que dar um nome falso ou mentir sobre a idade na Internet pode ser crime.

Este é um tema recorrente neste e noutros blogs, sobretudo quando os leitores julgam que só a verdadeira identidade confere justeza a um comentário ou afirmação.

Daí haver quem não descanse enquanto não encontra os o real nome de anónimos e heterónimos.

É curioso que não se discute a opção de Fernando Pessoa e de outros escritores portugueses e estrangeiros por essa estratégia. Mas condena-se quem recorre ao uso dos pseudónimos (nomes falsos) para poderem afirmar a sua liberdade de expressão.

Nos meios pequenos, onde quase todos conhecem tudo sobre todos, é mais difícil ser-se igual a si próprio e demarcar o seu espaço. O habitual é não manifestar o que se pensa, com receio de fazer inimigos ou de provocar mal-entendidos.

Não questionar, nem criticar e pensar pela cabeça dos outros, dizendo Amen a tudo e a todos gera o desinteresse pela vida colectiva.

As sociedades que favorecem esses comportamentos, estão doentes e não promovem o espírito crítico, nem dinâmicas de desenvolvimento humano e social.

 

Post scriptum:

Face ao número de comentários, pergunto-me se o anonimato ou o pesodónimo merecem assim tanta repulsa, discordância ?! 

É verdade que o texto, citando um artigo publicado no Público, teceu pontos de vista que não agrediram ninguém, como é norma neste blog.

Então porquê tanta discussão sobre as vantagens de dar a cara???

Não será porque é mais "saboroso" discutir pessoas que ideias?

publicado por sim às 20:43

Reconheço que ando afastada da blogsfera . Uma pessoa falou-me deste post e não resisti a lê-lo e a comentá-lo. Não aceito o anonimato seja ele nas grandes cidades, ou, em pequenas vilas. Aceito que as pessoas, como seres livres, expressem o que pensam. Sempre assinei os meus comentários e apesar de ser uma "amante" de Pessoa nunca usei heterónimos quando comentei um texto, não vejo necessidade de me esconder atrás de alguma "coisa" para dar a minha opinião sobre os assuntos. Sempre o fiz frontalmente, assumindo-me como sou, se estou errada ou certa isso é problema de quem lê, pelo menos sabem quem dá a sua opinião. Aí podem atacar-me à vontade porque eu dei a "cara" por aquilo que conquistei com o 25 de Abril: A LIBERDADE. Continuarei sempre a usar o meu nome em qualquer comentário e fá-lo-ei com a certeza que é aquilo que penso, sem me importar com aquilo que os outros pensam.
Não comparem o incomparável Pessoa é Pessoa, pessoas que não se assumem não são nem Pessoa nem nada...
Teresa Proença a 24 de Junho de 2008 às 20:15

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